O novo inimigo dos Nerds

Olá meus amigos! Retorno para falar da minha forma artística predileta: a história em quadrinhos, também chamada de banda desenhada ou arte sequencial, cujo gênero de super-heróis vem se tornando a base pra cultura geral em todas as mídias nos últimos 10 anos. Então vamos destrinchar um pouco do que é ser um super-herói.

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O super-herói difere do ídolo. O Herói é a pessoa que ultrapassa seus limites, alcança armas mágicas para derrotar monstros e encontrar tesouros que trará para seu povo. Além disso, a relação do herói com o monstro difere do tradicional, pois derrotá-lo não é simplesmente destruí-lo, mas domesticar seu poder selvagem. Hércules, após derrotar o leão de Neméia (uma criatura mágica com pelo teoricamente indestrutível), faz com sua pele uma verdadeira armadura indestrutível. Após derrotar a medusa, Perseu transformou a cabeça do monstro em uma arma superpoderosa, e a usou para destruir os tiranos que governavam seu reino. Entre o vikings, ser banhado pelo sangue do dragão daria uma pele indestrutível. Na Bíblia, enquanto os magos egípcios transformavam seus cajados em dragões, o cajado de Móises virou uma serpente que devorou os dragões!

Assim, o herói tem o poder de enfrentar desafios e ganhar ferramentas incríveis (semelhante ao sistema do jogo Megaman, em que você ganha a arma do chefão que você derrotou). E o poder do herói não vem da idolatria ao redor dele, mas dos obstáculos que ultrapassou e que lhe deram poder para superar os limites do ser humano comum.

Já a celebridade é gerada justamente pelo contrário: para hipnotizar as pessoas para idolatrá-la. O herói real inspira a ultrapassar obstáculos. O ídolo inspira a sugar prestígio das pessoas ao seu redor. Entendem agora o que acontece quando você substitui ou torna os heróis celebridades? É destruir sua real natureza heróica. Ficar famoso é tornar-se conhecido, que é bem diferente de virar um celebridade que se alimenta de elogios.

Quando você deixa de ser um fã pra virar um acumulador compulsivo de coisas, você mata o que havia de bom no herói. Um colecionador guarda, estuda e destrincha um material que ele gosta. Um hobbie o ajuda a construir um universo próprio cheio de imaginação e refletir sobre a realidade. Já o acumulador compulsivo não pensa: ele apenas segue o impulso de consumir, sejam brinquedos, produtos derivados, quadrinhos, filmes ou mesmo informação enciclopédica. Em qual dos dois você se encaixa?

Para qualquer coisa que se torne famosa, automaticamente você tem um mercado que se forma em torno daquilo – isso quando ela não é criada diretamente para ser uma fonte geradora de consumidores. Claro que qualquer obra é gerada para ser apreciada por um público, por mais restrita que seja a intenção original – mas uma coisa é ser dominado pelos seus instintos de consumo, fazendo com que o produto te domine, e outra é simplesmente apreciá-lo, adquirindo de forma reflexiva os produtos que deseja. É a diferença entre o consumidor compulsivo e o consumidor consciente, que agora deve fundamentalmente ser entendida no mundo nerd, já que nos tornamos as principais fontes de renda para milhares de empresas. Se não, você terá seus recursos (tempo, espaço dinheiro, amigos, etc) devorados pela impulso de “comprar aquela ultra-super versão especial metálica autografada do…(completar com coisas que te atraiam)”.

inimigo 2

Com a criação de clássicos nos quadrinhos dos anos 80 – especialmente as chamadas “graphic novels”, que elevaram os quadrinhos ao estado de cult – iniciou-se nos anos 90 o desenvolvimento de uma bolha financeira ao redor do mercado, tanto no ocidente como no oriente. Recursos muito legais, como grandes combates, ressurreições e capas alternativas, foram multiplicados à exaustão, e as pessoas foram convencidas a comprar edições visando sua valorização financeira, que, supostamente, ocorreria com o tempo. Houve uma explosão de edições limitadas de praticamente qualquer coisa era lançada. Mas isso não é paradoxal? Sim! Por isso a bolha estourou – e tivemos uma queda brutal na qualidade narrativa e gráfica da maioria dos quadrinhos no meio dos anos 90, acompanhada da respectiva queda de consumo. Uma crise econômica e criativa da qual o mercado só se recuperou no final da década, conseguindo novo impulso com o mercado cinematográfico.

Os princípios de uma nova bolha já começaram a aparecer, já que agora temos umas 3 megassagas por ano nas editoras mainstream dos quadrinhos, e o mesmo começa a se refletir no cinema. Essa bolha somente será alimentada se nos tornarmos consumidores inconsequentes do que gostamos. Não é para nos tornarmos “cientistas especialistas em super-heróis”, mas para ampliarmos nossa consciência de consumo. Se atualmente buscamos as alternativas de consumo mais sustentáveis para ecologia e para a sociedade, devemos fazer o mesmo com os produtos de super-heróis. Tornemo-nos realmente heróis, fazendo que não apenas seja saudável a comida, mas também tudo o que alimenta nossos 5 sentidos!

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